28 de nov. de 2008
Passai o Portal!
A mesma Corda...
É a mesma coisa, desde muito, esta tal de corda!
Só cambiando as instâncias e os aprendizados,
as testemunhas, os cúmplices e a finíssima borda
com que se separam, como em capítulos, slides...
se juntarmos TODOS, lado a lado: eis-nos paralisados!
Vejo, pelos pulsos, atados, sem rostos, os filhos e netos órfãos da aids!
Unidos, reunidos com que aleatoriedade por esta tal de corda?
Fios dos destinos, teoria dos conjuntos, a perfilar condenados...
Cores, idades, nomes, sotaques, caráteres, vestes, talentos, porta
única, só a que entraram... Todos também possuem, desolados
Pensamentos em outras tais e quais linhames: corda é brinquedo?
De subir em árvores, escalar alturas nobres, descermos escondidos
mãos ardendo, vermelhas, cheirando esforço, desafios e folguetos!
De pular em 1, 2, 3 até 15, rindo, suados, vermelhos, os pés fugidos
da eliminação, da saída, continuando, derradeiro, foi sem medo!
A mesma função, outro jogo, cabo de guerra, duas belas tribos
pés pregados ao chão, tornozelos torcidos, quadris tão colados
todos dando o melhor de si, unidos por uma corda e gritos!
ninguém quer perder, sair, ser visto de cima, ridicularizados
Em tudo acima, nossos olhos pousam em alguém, um troféu?
Será nossa "corda" ideal para alcançar outras travessuras?
pois, rápido entendemos razão da competição: provar o mel!
aí é que temos as primeiras feridas, as dores, tristes fissuras...
Mais uma corda conhecemos, arquivamos no bibliocordários...
É a corda da auto-punição, dos castigos e penas auto-impostas
ficamos numa gaiola, vendo um mundo, só, lá fora sol: sou canário!
Canto de meu poleirinho, afio bico na corda: rei deposto...
Faço ainda de tantas cordas, um comprido e profundo ninho
mas se entro, nada mexo, preso fico, atado, de pé sou múmia!
Bom mesmo isto é no frio, aí a prisão tornar-se abrigo, castelo fino
Torna-se torre, dourada, rangendo se me coço, de cima sou cume!
Até aqui evitei lembrar outras cordas, da ponte entre dois mundos
suspensas por tuas e minhas afinidades, de início tão comuns, pias!
Vindo com o tempo o fim, o assombro já sem validade, agora frias...
A vida como escada rolante, içando tantas Terezas e mil Raimundos
Enfim, são cordas também alavancas potentes, poderosas correntes
Vejo como nosso sangue, correndo por desfiladeiros internos, vão
visitando rincões, distribuindo dons, desfazendo nós: as sementes
brotando como conduta real, de que nossa vida é só rápida ilusão!
Reconheço agora o principal: sermos menos monumentos, o meio!
De se liberar, não as necessidades da matéria, mas a imortal.
Só assim, cai diante de nós a última, derradeira corda, do esteio
de todas as vidas reunidas num só colar, ei-lo! Passai o portal!
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário