7 de jan. de 2008

Porque não tenho filhos...


Porque não tenho filhos...


Jamais invejarei quem os têm: não cometi nenhum crime por causa deles!

Pelos filhos, pela prole, pela família cometemos todas as injustiças reles...

Desde as mais ingênuas, até as mais atrozes como as próprias trocas de peles!


Se os tive, errei apenas em não evitá-los, mas errou mais quem os manteve...

Filhos? Para quê tê-los? Se amanhã brigarão pelas tuas sobras?

Farão mais:Reclamaram todos os teus erros, esquecendo-se que... o maior foi: Procriais!

E antes que te tornes sombras, pó, NADA... ainda te negarão: for ever...


Por eles nos sacrificamos, por eles renunciamos, por eles morremos...

Mas nada disto ainda é suficiente para quem não nos acolhem...

Filhos não são nossa parte, mas anti-partícula, contrário, avesso, pedra de mó!

Com eles todo egoísmo, toda luta e conflito se acirram: Perdemos!

Talvez, único bem sejam todas as limpezas dispensadas pelas lágrimas: CHOREM!

Assim, nada, ninguém pode ser feliz tendo Eles, pois isto apenas se alcança Só!

WFB

AOS COM MAIS DE 40


Aos com mais de 40!

"Somos aqueles com mais de quarenta
Aqueles que dificilmente tentam...

Dificilmente não se esquentam...

Aqueles que com tudo se apoquentam...

Somos como gatos velhos...

Sonolentos, preguiçosos, gordos, só de pijamas e chinelos...

Já cansados de tantas desilusões e vãs futilidades: Noves fora, Zero!


Já olhamos todos de cima: quem nos rivaliza em experiências?

"Você ainda é jovem, vai aprender..." Mas que impertinência...

Border-line: eis nossa metade da vida acumulada, sem essência!

Mas, nem todos são assim! Há os que são resistentes!

Há os que são tão renovadamente jovens, sempre persistentes!

Ainda possuem o viço dos botões em flor, dos aromas de mil primaveras latentes!

Porque sabem que a vida é aprendizado: Sempre!

E a única verdade: Só sei que Nada Sei nos impele:Sempre!


Não se cansam de aprender e descobrir e de encontrar o Novo,
onde parecia Velho: Vivamente buscamos um Anelo!

A estes está reservado uma porção de alegria e de prazer sem limites!

Pois, vivem o seu tempo, não se escondem dele, nem o recusam: Estão quites!

São muito vezes julgados, censurados e tachados de loucos: Fábrica de diabrites!


E assim a vida segue seu curso, como um rio, em seu leito...

Nele inúmeros seguimos conduzidos, sem consciência, sem o controle: Muitos sem peitos!

Não os exercem, não os usam, não se movimentam, não exploram Nada:
As margens, o fundo, as águas por mero medo...

Então, a hora do fim de nossa travessia se nos depara de repente: Frio, horror, Gêlo!


Somente aqueles que se libertaram,

expandiram,

conheceram o máximo do que se lhes desafiaram, estes estarão plenos!

Não de tolas vaidades, ou de conhecimentos fraudulentos: mas de si mesmos!

Pois viveram mais, mesmo após os 40, como se ainda menos fossem...

Não se acomodaram, não se cristalizaram, não se contentaram com pouco,
apesar de sem juízos parecessem...

Sumergiram, emergiram, nadaram de peitos abertos, brincaram nas corredeiras
E repousaram nos remansos, foram amados no meandros
Destes leitos: fizeram de seus feitos Barca, Vela, Bússolas e Remos!

WFB