8 de abr. de 2008

achei uma estrelinha caída...





Numa manhã de segunda, nebulosa, úmida e quase fria...


Andava a cruzar uma pequena ponte, sobre riachinho tão cheio de alegria!


Era uma caminho entre sítios, roças de gentes simples, mas arredia


Desconfiadas de todo novo ente, urbano, forasteiro, intruso... O que querias?



Cercado, todo o vale era abraçado por inúmeras e belas colinas, verdes e serenas.


Estas montanhas e cumes tornavam nossa pequenez tão fértil e vadia, na paisagem amena!


Pensei: Que adianta tanto conhecimento e sede de vontades tão díspares? Se ínfima nossa existência?


Assim, andava pelas trilhas, aos sons de pássaros e outras vidas, distraído e absorto, até meus olhos serem assombrados por radiante brilho que emanva do milharal abandonado...


Era esta pequena flor do campo! Uma trepadeira que se erguia pela haste do milho como uma amante pendurada ao peito fiel Amigo elevado...


Um silêncio tão profundo quanto demorado fez-me admirar tão bela florzinha que me falava, sussurando assim docemente:


"Viste-me sem maquiagem, espiaste minha intimidade


Agora leve consigo meus rubros vestidos tão sem idade


Aos demais que nunca me viram, nem experimentaram


quer a cor ou o formato, ou o perfume que te calaram!




Mas ao levar e dividir-me, com quem nunca vi, mostre-lhes mais!


AQUILO! A verdade e beleza por trás de todas as coisas tão reais!


"Sou uma estrela caída, aprisionada nestes sombrios vales...


Obrigada a decorar tão injusta prisão e o mais vil dos Males:


Estar apartada, divorciada de tua Origem, de tua Luz-Pátria!


Explicai a todos: ninguém aqui VIVE, senão sendo Párias!




Vê minha veste? Como está reduzida? Foi me subtraída...


Por legiões de parasitas e de Tiranos, assim que me vi caída...


Estes, não tem vida própria, são seres sem Lume, sugam apenas


O néctar, a seiva e toda essência de TUDO, Todos, sem penas...




Se minha imagem te emocionas, viajor, melhor ainda é a tua mesma!


Pois és a própria imagem de quem lhe criastes a eões: A razão suprema!


Porém, os anos tantos neste cárcere, degenerastes tua bela veste dada.


Muito mais linda, colorida e excelsa que as minhas: ó dádiva Iluminada!




Seguimos, ó andarilho, ainda em vereda tão efêmera como a vida minha!


Mas lembre-se de meu REAL estelar aspecto, embora tão pequeninha,


E erga tua fronte, encare tuas limitações como quem sabe de onde vens!


"És filho de Rei, não sois escravos! Acredite na tua filiação, nos teus Gens!"




Não te acomodes, nem te resignes com as cadeias do corpo e da matéria!


Lute! Principalmente em si mesmo, diariamente, é aí que reina a miséria!


Limpe vosso templo, tão energicamente como quem ara a terra, o campo!


Só assim, as verdadeiras sementes brotarão e se elevarão ao Espaço Amplo!




Siga, agora, carregando-me em seu coração, e nele irrompendo sem hesitação!


E nos veremos em breve, fora daqui, alhures, onde há Paz e contemplação!


Pois a vida devota a Deus, não é apenas discursos ou imitação: Mas, Transfiguração!


Eis a minha oblação aos teus olhos, Cidadão, que nós retornemos logo à nossa Mansidão!