
Quando a conheci, em 79, deslumbrei-me com tua áurea!
Ladeada por este rio CHEIO, transbordante de promessas
Mal cheguei, e mesmo cansado fui conhecê-la, de bicicleta,
a pé, sob carrocerias de c10 e 14, enfim, o que desse, ver tudo!
Lembro-me de um tal matadouro afastado, curtume,couros ao chão
no caminho que nos levava a Cajueiros: e que delícia e doce visão!
Trepar nestas árvores centenárias, sem frutos, de sombras calmas
sentia-se o silêncio que teu sol impunha, arder no espinhaço, nuca
braços e coxas, mesmo à proteção desta bendita e tão rara árvore
Mais ali, em direção às lages um umbuzeiro e teu irmão Juazeiro
Sem avisos, na pressa, espetastes meus dedos de paulista, tabaréu
ao querer subir-te como no fruteiro anterior, riram de mim, claro
E meu sangue, pouco, poluto, te nutriu num átimo, evaporando
tão imediatamente, e logo estancado, só a dor, latejava sempre
Já na primeira noite, Juazeiro, conheci-te como duro contraste:
em calor de 40º à noite, madrugada, todas as janelas e portas
escancaradas, sob mosquiteiro seco e árido, uma prisão abençoada
Até hoje me intriga: como teus mosquitos vazaram esta muralha?
Pinicando-me tanto e bem, que acordado, ao espelho jurava ser:
CATAPORA, RUBÉOLA OU CÓLERA? tinha, ignorante, sido batizado!
Dado meu sangue mestiço, refinado, à continuação de uma raça
de espécie de insetos, ainda não domesticados, no provir da prole
E as meninas de Juazeiro? Estas sim, safadinhas e indelicadas, não
querem conversar não: "onde é que abre, benzinho?" Rubor e frio!
Mas, comparando-a a tua vizinha, difícil não estranhar porque não
te ornastes como a pernambucana, mais moderna, mais sadia: rica!
Que é que teus filhos fizestes a ti, para ser tão tacanha, tímida?
Para onde vão as fortunas de tuas terras, colheita de teus vinhos?
Não ficarão entre os teus? Acaso migram para outros paraísos frios?
Quem sabe um dia Juazeiro, serás menos recreio e quintal, para vir
a descobrir-se e reverlar-se, a mais bela árvore do paraíso agreste!