Na pulsar do tempo, sejam quais forem
as tantas voltas, desta ou de outras vidas,
somos como uma linha de novelo finito
mesmo tendo emendas, até outras cores
Não somos tecido raro, algo inacabado
dizem uns "Sem fim e sem passado"...
Não, meus olhos ávidos! Passamos!
Ora, tão calmos como a folha desgarrada
Ora, chucros como manadas ao precipício
Mas há sim, algo que é contínuo, duradouro
como O tempo, acontecendo, tão fogoso
gerúndio, sempre por vir, alterando tudo:
mudanças é o motor que nos Transmuta!
Não apenas as grosseiras, mas até sutis
E são nosso chão todas estas matérias:
que um Shakespeare cunhou de sonhos...
E quem perguntaria: o que é isto que piso?
Sua história, dores e alegrias? Teus suspiros?
Não! Ninguém sequer ouve a vida desmanchando
tanto em si mesmos, ou de outrora, como seu redor!
E se ouvem, veem com soluços de outrens, mas logo passam...
Pois ao coração sequioso de prazeres, as dores são muros
sem pichações, que quando há, repintamos de pronto
nas nossas desilusões tão ingênuas, sempre tão vencidas
Mas, para os que intuem haver algo mais: há existência oculta?
Além daquilo que os sentidos aprisionam:Medir, cheirar, tocar?
Claro que há! Aos que apenas renunciam a este viés único.
Reciclando tudo isto como se, de mudança, nada levasse mais
E vazio de si, só se interessasse pelo que é SI LÊN CI O...
Tal um recém-nascido que dormindo, aguardasse sem pressa
A completude do conteúdo, sem depender de nenhuma forma,
Construindo um outro cenário, em outro lugar mais interior:teu!
Lá, a marcha do tempo, como passarela em espiral, íngrime
tal a subida de infinita montanha, sempre exigirá o abandono
seja de algo inútil, seja de algo impróprio à nobre caminhada
pois para escalá-la, é exigido dar a própria vida, como pedaços
únicos que rebocam a tão bela estrada, fechando todas falhas
com a derradeira e última morada, deixamos pra quem vem pós,
sublime, alva, segura, maravilhosa, dourada, pura, vereda:
Lá, já tudo é lume! A comunicação é plena: A total Unidade e só!
Publicado em 01/06/2009 às 17:42:25 por Wiliam França Barros
7 de jul. de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário